Hepatite C: importância do diagnóstico exato

A Hepatite C é uma doença infecciosa causada pelo vírus HCV, que se desenvolve no fígado, podendo causar inflamação e consequentemente cirrose hepática. Sua complicação mais grave, no entanto, é o desenvolvimento de hepatocarcinoma, câncer no fígado.

A contaminação se dá principalmente através de contato com sangue infectado. No passado, doações de sangue, compartilhamento de seringas e uso de materiais não esterilizados tinham alto índice de transmissão, porém com o advento dos materiais descartáveis, houve grande diminuição desses casos.

A transmissão do vírus através de relação sexual também é possível, admitindo-se que ela possa ocorrer em grande parte dos casos. Assim, prevenir e conversar com o seu médico a respeito de parceiros com a doença é sempre o melhor caminho.

Após a infecção pelo vírus HCV, um pequeno número de pessoas pode desenvolver hepatite aguda, com sintomas típicos dessa doença. Porém, na maior parte das pessoas, permanece assintomática, evoluindo como uma doença “silenciosa”, que pode causar muitos danos a longo prazo.

Por isso é extremamente importante estar atento às formas de prevenção e realizar exames conforme orientação médica, principalmente em caso de possível exposição. O vírus só é detectado, em média, após 50 dias do contato, pelo exame sorológico, mas pode ser identificado muito mais rapidamente, utilizando-se a técnica da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR, do inglês)

Atualmente, o Laboratório Franceschi realiza três diferentes exames para o diagnóstico da doença. O mais comum é o ANTI HCV, analisado pelo método de quimioluminescência, que irá dizer se o organismo do paciente possui anticorpos contra o vírus, ou seja, se houve contato com ele em algum momento no passado.

Os exames HCV PCR Quantitativo e HCV PCR Qualitativo, analisados através da tecnologia de biologia molecular, irão avaliar o RNA e DNA do vírus, apontando qual sua quantidade no organismo, possibilitando uma melhor indicação de tratamento ou não, dependendo da situação.

Dados mundiais

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 14 milhões de pessoas foram diagnosticadas com Hepatite C no mundo em 2015 e apenas 1,1 milhão iniciaram o tratamento.

Nesse mesmo ano, as hepatites C e B foram responsáveis por 720.000 mortes por cirrose e 470.000 mortes por câncer de fígado. Isso significa um aumento de 22% no número de mortes por hepatite desde os anos 2000.

O relatório da OMS divulgado no ano passado traz o alerta: “A menos que as pessoas infectadas com hepatite C e B sejam diagnosticadas e tratadas, o número de mortes continuará aumentando”.