O Brasil na Luta contra AIDS

Você sabia que cerca de 135 mil brasileiros vivem com HIV/AIDS e não sabem? Segundo o Ministério da Saúde esta estimativa se deve principalmente a falta de prevenção durante as relações sexuais. Em 2018, foram identificados mais de 43 mil novos casos de HIV, a maioria na faixa etária de 20 a 34 anos. Apesar deste número chamar muita atenção e reforçar a importância do uso da camisinha, outros números mostram que os dados referentes a mortes diminuíram muito.

Entre 2014 e 2018, cerca de 2,5 mil mortes foram evitadas. O número de mortes pela doença caiu quase 23%, sendo 12,5 mil em 2014 para aproximadamente 11 mil pessoas em 2018. Isso porque, com o tratamento certo, o vírus HIV fica indetectável e a pessoa não irá desenvolver AIDS.

 

Qual a diferença entre HIV e AIDS?

 

Sim, existe diferença entre as duas palavras. HIV é a sigla em inglês do vírus que ataca o sistema imunológico e atinge principalmente os linfócitos T CD4+. A AIDS é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, ou seja, o estágio mais avançado da doença que é causada pelo HIV. Nesse estágio, a depleção dos linfócitos do tipo CD4 levam a uma queda importante da imunidade, tornando o organismo propenso às doenças oportunistas causadas por agentes infecciosos que normalmente não afetam indivíduos sadios. Os avanços do tratamento no Brasil são notáveis. O tratamento anti-retroviral, popularmente conhecido como “coquetel”, atualmente apresenta formulações com pouca quantidade de comprimidos, com efeitos colaterais mínimos. As medicações suprimem a replicação viral, impedindo a morte de linfócitos e, portanto, previnem a imunossupressão. Assim, se torna possível conviver com o vírus do HIV, sem desenvolver a AIDS.

 

A transmissão e a prevenção do HIV

 

A transmissão do HIV acontece principalmente por meio de relações sexuais sem proteção. É por isso que, o uso de preservativos, feminino ou masculino, em todas as relações sexuais se torna importante. Atualmente, também estão disponíveis a PEP (profilaxia pós-exposição) e a PreP (profilaxia pré-exposição). Na primeira, o indivíduo que teve relação sexual desprotegida, sofreu violência sexual ou se acidentou com objetos perfurantes contendo sangue, podem receber tratamento com anti-retroviral por 28 dias a fim de evitar a transmissão do HIV. É importante salientar que, nestes casos, o início da medicação seja realizado em até 72 horas da exposição ou contato e seja prescrita por profissional médico, caracterizando e individualizando caso a caso. Na segunda (PreP), a medicação anti-retroviral é administrada antes das relações sexuais em esquemas posológicos diversos, a serem definidos pelo médico do paciente que procura este tipo de cuidado. Todas essas são estratégias fundamentais na prevenção da transmissão do HIV.

Aperto de mão, compartilhamento de copos e talheres, beijo e uso da mesma piscina ou sauna não são formas de transmissão do vírus de HIV.  Mas, outras formas de transmissão são possíveis, por meio da transfusão de sangue, uso de drogas injetáveis, compartilhamento de seringas, canudos e cachimbos e transmissão vertical, que acontece de mãe para filho.

Para se prevenir, é preciso não compartilhar agulhas, seringas, canudos e cachimbos. Preste atenção se o material que for usado em sua tatuagem ou piercing, manicures e barbearias e até em clínicas odontológicas são esterilizados ou descartáveis dependendo da funcionalidade de cada uso.

A transmissão vertical ocorre quando o vírus é transmitido durante a gestação, parto e/ou amamentação. Sem qualquer intervenção, a taxa de transmissão vertical pode chegar a 30%. Essa taxa pode ser extremamente reduzida, chegando a menos de 1% quando se utilizam estratégias combinadas de tratamento e prevenção durante a gestação. Atualmente, o cuidado durante o pré-natal, com a testagem de HIV durante a gestação, início precoce de terapia anti-retroviral das gestantes infectadas pelo HIV, uso de medicação endovenosa durante o parto e a prevenção da amamentação nesses casos, garante o nascimento saudável do bebê. O Brasil é um dos países mais comprometidos em eliminar a transmissão vertical do vírus.

Hoje, Curitiba, Umuarama e São Paulo são as cidades que receberam uma Certificação de Eliminação da Transmissão Vertical de HIV. Essa certificação garante toda a qualidade de prevenção com acompanhamento e tratamentos desde o pré-natal até o puerpério e acompanhamento da criança.

Consulte seu médico e faça exames regularmente.