Provas de Coagulação

Provas de Coagulação

A hemorragia após procedimentos cirúrgicos é uma das complicações mais freqüentes em pacientes com distúrbios da agregação plaquetária primária ou adquirida (1). Para se evitar este tipo de ocorrência, o Tempo de Sangramento foi desenvolvido, na esperança de que o tempo de sangramento do paciente após a incisão ou punção de pele, iria ajudar no diagnóstico dos distúrbios plaquetários e ajudaria a prever o risco de sangramento durante ou após o procedimento invasivo. (2)(3) A utilização deste método se tornou popular, porém sem estudos consistentes que comprovassem a sua eficácia.

Por volta de 1990, iniciaram-se as publicações dos primeiros estudos questionando a utilidade do Tempo de Sangramento como fator preditivo de sangramento, através de dois artigos que sugeriam a extinção deste teste como rotina pré-operatória. (4)(5) Após estes estudos, o Colégio Americano de Patologistas e a Sociedade Americana de Patologistas Clínicos também publicaram um artigo, concluindo que o TS não era efetivo como rotina pré-operatória em pacientes sem história de sangramento excessivo, mesmo em uso de aspirina ou Anti-Inflamatórios Não Esteroidais, sendo então proposto um fluxograma para investigação pré-operatória de distúrbios de agregação plaquetária:
 
 
 
Com a finalidade de avaliar o impacto da descontinuação do Tempo de Sangramento na prática médica, um estudo foi realizado em 2001, comparando-se o número total de testes de agregação plaquetária, a nédia mensal de transfusões de plaquetas, a incidência de complicações de biópsias de rim, o número de doses utilizadas de DDAVP, e a incidência de complicações de sangramento, antes e depois da alteração na rotina de investigação da função plaquetária. O estudo não foi capaz de identificar efeitos adversos após a descontinuidade do TS. (7)
 
Já o Tempo de Coagulação, foi substituído pelos estudos da via intrínseca (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) e extrínseca (Tempo de Protrombina), por permitirem a avaliação específica de cada uma das vias da coagulação, além de apresentarem maior sensibilidade e especificidade. (8, 9, 10)
 
Seguindo a literatura internacional, o Laboratório Franceschi informa que não realiza o Tempo de Sangramento como metodologia associada ao COAGULOGRAMA.
 
Favor entrar em contato através do telefone (19) 3514.5000 ou e-mail apoiocientifico@labfranceschi.com.br , caso necessite de mais alguma informação ou das referências citadas neste Informe.
 
(1) Bick RL. Platelet function defects associated with hemorrhage or thrombosis [Review]. Med Clin North Am 1994;78:577-607.
(2) Duke WW. The relation of blood platelets to hemorrhagic disease. Description of a method for determining the bleeding time and coagulation time and report of three cases of hemorrhagic disease relieved by transfusion. JAMA 1910;55:1185-1192.
(3) Ivy AC, Nelson D, Bucher G. The standardization of certain factors in the cutaneous "venostasis" bleeding time technique. J Lab Clin Med 1941;26:1812-1822. 
(4) Rodgers RPC, Levin J. A critical reappraisal of the bleeding time. Semin Thromb Hemost 1990;16:1-20.
(5) Lind SE. The bleeding time does not predict surgical bleeding [Review]. Blood 1991;77:2547-2552. 
(6)Peterson P, Hayes TE, Arkin CF, Bovill EG, Fairweather RB, Rock WA, et al. The preoperative bleeding time test lacks clinical benefit [Review]. Arch Surg 1998;133:134-139. 
(7) Lehman CM, Blaylock RC, Alexander DP, Rodgers GM. Discontinuation of the bleeding time test without detectable adverse clinical impact. Clin Chem 2001;47:1204-1211.
(8) Henry, John Bernard, Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, Cap. 29, pág. 725
(9) Miller, O; Laboratório para o Clínico, Cap. 7, pág. 94.
(10) Ravel, R., Laboratório Clínico Aplicações Clínicas dos Dados Laboratoriais, Cap. 8, Pág. 79.