Transplante de medula é cura de doenças inflamatórias intestinais prematuras

Uma pesquisa desenvolvida no Canadá, por médicos americanos e canadenses especialistas em gastroentereologia e pediatria, aponta que o transplante de medula óssea é a cura para crianças com doenças inflamatórias intestinais crônicas. O objetivo do estudo, chamado de interNational Early Onset Paediatric IBD Cohort Study (NEOPICS), é encontrar as causas dessas doenças em pacientes pediátricos.

A doutora em Saúde da Criança e do Adolescente da UNICAMP, Elizete Aparecida Lomazi, explica que as doenças intestinais inflamatórias na faixa etária pediátrica são raras, atingindo cerca de 15% dos pacientes. Contudo, o início da doença antes dos 5 anos de idade costuma ter um quadro clínico grave, com resposta insatisfatória aos antiinflamatórios disponíveis.

De acordo com ela, o grupo de pesquisadores do NEOPICS concluiu que esses pacientes possuem uma imunodeficiência que pode ser curada, em alguns casos, por meio do transplante de medula óssea. “Essa possibilidade muda radicalmente a evolução das crianças com imunodeficiência”, pontua a médica. “Na quase totalidade, esses casos evoluem para inflamação intestinal crônica, necessitando de uso contínuo de medicação antiinflamatória, cirurgia para ressecções intestinais, abscessos e fístulas e, enfim, a morte prematura.”

Dra. Lomazi ainda ressalta que o transplante de medula só poderá ser realizado quando os dados de estudos de biologia molecular genética do paciente indicarem que essa será uma alternativa terapêutica que levará à cura.

A equipe do estudo conta com médicos de Santiago, no Chile, Jerusalém, em Israel e de Boston, nos Estados Unidos, além da participação de médicos de diversas partes do mundo. No Brasil, Lomazi participa como fonte de encaminhamento de pacientes. “Meu papel implica em identificar os casos clínicos compatíveis com a doença inflamatória intestinal de início precoce e fazer o encaminhamento do sangue para o banco de dados do projeto em Boston”, explica Dra. Lomazi.

Para o envio das amostras, a médica conta com o apoio do Laboratório Franceschi Medicina Diagnóstica, de Campinas, que ajuda na coleta do material e na logística do envio aos pesquisadores norte-americanos. O maior desafio da pesquisa, de acordo com o médico pediatra assistente do Laboratório Franceschi, Gabriel Marchiori, é conseguir um número grande de crianças com essa doença para os pesquisadores realizarem as análises e comparações.

Por este motivo é essencial o contato com médicos e pacientes de outros países e continentes. O site oficial do estudo mantém um mapa atualizado que mostra a participação de médicos em diferentes partes do mundo, já registrando regiões da Europa, Ásia e Austrália, além da América do Sul e do Norte.